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martes, 14 de abril de 2026

PARÁBOLA SEGUNDA





Tudo poderia ser o amor pois não sabíamos

Numa daquelas casas que o sol batia, antigo e sóbrio, 
esperei encontrar-te e de ti o mesmo sol mas outro ter 
Era assim 
éramos assim 
Tudo poderia ser o amor pois não sabíamos 
e de verde ou de profundo nos havíamos 
como esses 
outonos de Martin Heade 
por Newburyport Meadows Farm 
olhávamos as coisas como se fosse a primeira vez 
apaixonávamo-nos por elas 
Tudo poderia ser o amor pois não sabíamos 
não desejávamos saber 
pois que tudo nos bastava 
o amor nos bastava 
um pouco de outubro antigo 
o silêncio enorme de cada folha em cada árvore 
e o amor 
sempre o amor
esse quanto nos bastava nos nos 
o amor 
e tudo poderia ser o amor 
pois não sabíamos.



SEGUNDA PARÁBOLA 

Todo podía ser el amor porque no sabíamos 

En una de esas casas donde brillaba el sol, vieja y sobria, 
esperé a encontrarte y de ti el mismo sol pero de otra clase 
Era así, 
éramos así 
Todo podía ser el amor porque no lo sabíamos 
y de verde o de profundidad nos teníamos a nosotros mismos 
como esos 
otoños de Martin Heade 
junto a Newburyport Meadows Farm 
mirábamos las cosas como si fuera la primera vez
nos enamorábamos de ellas 
Todo podía ser el amor porque no sabíamos 
no queríamos saber
porque todo era suficiente
el amor era suficiente 
un poco del viejo octubre 
el enorme silencio de cada hoja en cada árbol 
y el amor
siempre el amor 
eso era suficiente para nosotros 
el amor 
y todo podría ser el amor 
porque no lo sabíamos.
 


Fernando Cabrita As Trinta Parábolas do Amor Imperecível. Colecção: On y va, Poesia. 2025

www.onyva.pt

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